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Mobilidade Humana e Trânsito

Comissão de Mobilidade Humana e Trânsito

A proposta da Comissão de Mobilidade Humana e Trânsito é a de levar a discussão para além do trânsito, abordando assuntos referentes ao planejamento urbano, educação, cidadania e segurança, além de debater a construção de teorias e práticas para um trânsito mais seguro. Contatos: comht@crp03.org.br.

Destaques

Nota de repúdio às recentes medidas de “revitalização” do Parque do Campo Grande

Como Se Mata Uma Praça?

A Associação Psicólogos do Trânsito e Mobilidade Humana (PATRAMH), com o apoio do Conselho Regional de Psicologia secção Bahia (CRP-03) através de sua Comissão de Mobilidade Humana e Trânsito (CMHT), vem manifestar total repúdio às recentes medidas de “revitalização” do Parque do Campo Grande, nesta cidade do Salvador.

O Campo Grande era, até a mal-nomeada “revitalização”, uma das praças mais vivas do país, com usos diversos, múltiplos e concomitantes o que garantia não apenas uma área de lazer excelente para diversas classes sociais e faixas etárias, como uma ligação de trânsito pedestres e de veículos de propulsão humana altamente segura no centro antigo desta importantíssima capital. Nada havia, portanto, a ser “revitalizado”. O que talvez de que o Campo Grande precisasse seria restauro e manutenção ou, no máximo, uma reforma do seu entorno – mas não do parque em si.

Insistimos em chamar a área de parque, e não de praça, porque suas dimensões (com mais de dez mil metros quadrados), seus usos (múltiplos, diversos, concomitantes, inesperados, criativos e espontâneos), sua localização (uma fronteira de ligação entre diversos bairros densos de centro), e seu microclima e proteção arbórea são mais comuns a pequenos parques do que a praças. Além disso, se compararmos com largos similares em outras capitais brasileiras (Campo das Princesas, no Recife; Praça da República, em Belém do Pará), veremos que estes grandes largos em frente ou ao redor de grandes teatros públicos operísticos (o Teatro Castro Alves, no nosso caso) recebem tratamento e frequência de parque.

Um parque não tem como sustentar sua vitalidade sem, por exemplo, pipoqueiros – e uma das medidas da “revitalização” foi justamente retirar todo o comércio informal e ambulante que costumeiramente lá estava. Um parque de centro não pode se dar ao luxo de ser apenas uma área de lazer, ou frequentado por apenas um bairro ou uma só classe social de seu entorno; nem pode restringir seu trânsito ao modo pedestre, embora este seja prioritário: sem bicicletas, skates, patins e patinetes, a praça fica mais vazia, com mais pontos cegos, menos interessante e mais perigosa especialmente para quem passa andando a pé. Tanto mais porque suas aléias são grandes (de 3 a 12m de largura) o suficiente para comportar diversas formas de ocupá-las.

Não por acaso, no dia mesmo da mal-dita “revitalização” ocorre um latrocínio no parque – crime que, seguramente, se a praça estivesse viva, diversa e espontaneamente ocupada como estava uma semana antes, não aconteceria com esta gravidade, uma vez que haveria transeuntes para inibir tais atos e alertar às autoridades, se preciso fosse.

Muito ao contrário, ao invés de impedir o uso de veículos não-motorizados de propulsão humana concomitante e auxiliarmente ao uso pedestre, as próprias Guarda Municipal e Polícia Militar deveriam incorporar skates, patins, patinetes e bicicletas como utensílios capazes de ampliar seu raio de ação e eficácia nesta e em outras regiões. A Polícia Militar já tem alguma experiência de policiamento por bicicletas em outros bairros, como no Caminho das Árvores, embora incipiente.

Como dissemos acima, se havia alguma reforma a ser feita no Campo Grande seria a redução da largura e velocidade das enormes vias de trânsito que circundam este parque, o que o deixa ilhado e restringe seu acesso pedestre a apenas quatro pontos específicos, ao invés do livre ingresso nele em sua totalidade.

Outrossim, ainda não compreendemos a necessidade de todos os dias se lavar a praça com caminhões-pipa: também isto torna a praça vazia, porque inóspita, em horários importantes, como à noite. E, posteriormente a “revitalização” (na verdade, como já mostramos, uma mortificação e sangramento de uma área até então vivíssima), tem-se visto automóveis e caminhões estacionados por sobre a praça, por vezes dentro do gradil do parque – o que é inaceitável e, rigorosamente, nunca aconteceu enquanto a praça era de fato viva, até poucas semanas atrás.

Aproveitamos para nos colocar a disposição para auxílio técnico a respeito do tema.

Lucas Jerzy Portela

Presidente, Associação Psicólogos do Trânsito e Mobilidade Humana (PATRAMH)

contato: lucasjerzy@gmail.com / (71) 8841-2257

Movimento Nacional pela Democratização do Trânsito.

Resultado do I Desafio Intermodal de Salvador.

Veja o folder da Comissão sobre a campanha contra a carrodependência.

Carta aberta à Prefeitura de Salvador a respeito das recentes medidas de restrição ao uso de automóveis

Carta a respeito da recente colisão frontal entre dois ônibus na via exclusiva axial a Estação Iguatemi e eventos similares