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25 de julho reforça a luta das mulheres negras por direitos, reconhecimento e justiça social

Publicado em 25 julho de 2026 às 14:08

25 de julho reforça a luta das mulheres negras por direitos, reconhecimento e justiça social

Instituído a partir das mobilizações do movimento de mulheres negras na América Latina e no Caribe, o 25 de julho tornou-se uma importante data de afirmação, resistência e reivindicação de direitos. A iniciativa surgiu durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado em 1992, na República Dominicana, com o objetivo de fortalecer o combate ao racismo, ao sexismo e às diversas formas de exclusão social.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a data busca promover o reconhecimento dessas mulheres e incentivar a formulação de políticas públicas voltadas à melhoria de suas condições de vida, além do enfrentamento ao racismo e à discriminação. Trata-se também de um momento de dar visibilidade ao protagonismo dessas mulheres nas transformações sociais ao longo da história, reconhecendo suas contribuições fundamentais para a cultura, a política e a preservação dos saberes ancestrais, bem como sua influência na construção da identidade e da diversidade desses países.

No Brasil, a data ganhou reconhecimento oficial em 2014, por meio de lei sancionada pela então presidenta Dilma Rousseff, que instituiu o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A homenagem resgata a trajetória de Tereza de Benguela, importante liderança quilombola do século XVIII que resistiu à escravização e liderou a luta pela liberdade de populações negras e indígenas.

Dados reunidos no documento Mulheres afrodescendentes na América Latina e no Caribe, publicado em 2018 pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e pelas Nações Unidas, apontam que o Brasil possui a maior proporção de população afrodescendente da região, representando 50,9% da população, de acordo com os censos nacionais de 2010. Em seguida aparecem Cuba (35,9%), Porto Rico (14,8%), Colômbia (10,5%), Panamá (8,8%), Costa Rica (7,8%) e Equador (7,2%).

Apesar da expressiva presença populacional, o estudo evidencia que as mulheres afrodescendentes continuam enfrentando profundas desigualdades sociais, econômicas e políticas. O relatório destaca que esse grupo ainda permanece pouco contemplado por políticas públicas específicas, apresenta índices mais elevados de pobreza, enfrenta obstáculos para ocupar espaços de poder e decisão e está mais exposto a diferentes formas de violência.

Essa realidade também é observada no Brasil. Levantamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) aponta que as mulheres negras estão entre os grupos mais distantes dos avanços em desenvolvimento humano no país. Entre os desafios identificados estão o menor acesso à educação, a inserção precoce no mercado de trabalho, a maior vulnerabilidade à violência e a menor expectativa de vida quando comparadas a outros segmentos da população.

Diante desse contexto, torna-se fundamental que a Psicologia fortaleça seu compromisso com a promoção do bem viver das mulheres negras, considerando os Determinantes Sociais da Saúde e seus impactos diretos sobre a saúde mental. O enfrentamento das desigualdades raciais e de gênero é parte essencial da construção de práticas profissionais éticas, comprometidas com os direitos humanos e a justiça social.

O Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03) reafirma seu compromisso com uma Psicologia alinhada às demandas e experiências das mulheres negras, fortalecendo ações de enfrentamento ao racismo estrutural e estruturante que ainda marca a sociedade brasileira.

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