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–  Minuta CREPOP –

Pesquisa com Psicólogas(os) que atuam na Educação Inclusiva

A pesquisa com psicólogas(os) que atuam em políticas públicas de Educação Inclusiva ocorreu entre março e junho de 2008. As informações aqui apresentadas baseiam-se nos dados coletados durante o Georreferenciamento[1] e encontros presenciais[2](Reunião Específica e Grupo Fechado[3]) realizados em Bahia e Sergipe. A seguir apresentamos um quadro geral com o número de psicólogas(os) presentes em cada encontro.

 Encontro Presencial

 

Bahia

Sergipe

Reunião Específica

17

04

Grupo Fechado

07

02

Total

24

06

 

a) Rede de Referência – o georreferenciamento da  pesquisa CREPOP nesta política localizou, entre Bahia e Sergipe, cerca de 59 psicólogas(os). Apesar da concentração destas(es) profissionais na área da educação ser mais evidente na política de Educação Inclusiva, esta presença ainda parece ocorrer de maneira incipiente, desordenada e precária. Aparentemente a rede de referência, nos dois estados, está em construção. Localizamos 06 instituições estaduais de referência e diversas Ongs conveniadas às Secretarias Municipais de Educação que prestam serviços e fazem a cobertura desta política. As(os) alunas(os) da rede pública que necessitam de apoio são encaminhados a tais entidades. Além destes convênios, existem encaminhamentos realizados para instituições de saúde. Durante os grupos, a maioria das(os) psicólogas(os) avaliou de maneira negativa a situação da rede de referência. Para as(os) mesmas(os) há uma completa desarticulação entre os diversos centros e instituições existentes. O sistema de comunicação é deficitário ou simplesmente não existe. Os encaminhamentos, quando ocorrem não funcionam. Por conta disto, muitas(os) sentem-se isoladas(os) e sobrecarregadas(os) com demandas que deveriam estar sendo encaminhadas a outras instituições da rede.

b) Dificuldades dos serviços/ Condições de Trabalho: durante o encontro, muitas foram as dificuldades e limitações apresentadas pelas(os) profissionais desta política. Destacamos as seguintes:

  • Falta de material específico para realização de avaliações e psicodiagnóstico;
  • Profissionais da área pouco qualificadas(os) para realização do trabalho na perspectiva da  Educação Inclusiva;
  • Percepção, por parte de outras categorias, da(o) psicóloga(o) como profissional da Saúde e não da Educação;
  • Ausência de um sistema de comunicação eficiente entre a gestão/escolas e entre  escolas/família;
  • Demanda elevada para reduzido número de profissionais;
  • Desvio de Função;
  • Ausência de concursos públicos;
  • Vínculos de  trabalho instáveis, flexíveis e precarizados;
  • Baixa remuneração;
  • Pouca autonomia por questões ligadas à política local.

 c) Atividades Específicas/Tecnologias de Intervenção: abaixo informamos as principais atividades e tecnologias de intervenção trazidas pelas(os) psicólogas(os). Estas serão apresentadas separadamente em três grandes grupos. No primeiro deles, concentramos as atividades relativas ao trabalho mais individualizado – psicodiagnósticos e atendimentos clínicos:

  • Atendimento individual/ Suporte clínico;
  • Atendimento psicoterapêutico;
  • Avaliação e Psicodiagnóstico de alunas(os) portadoras(es) de necessidades educacionais especiais;
  • Aplicação de Testes psicológicos;
  • Anamnese;
  • Entrevistas de acolhimento;
  • Observações;
  • Montagem de plano terapêutico individual – PTI;

No segundo, reunimos as atividades de grupo realizados com diversos atores- famílias, professoras(es) e alunas(os).

  • Realização de trabalhos em grupo;
  • Dinâmicas de grupos(Grupos de dança e artes);
  • Apoio às famílias;
  • Trabalhos relativos ao Acompanhamento e Orientação(alunas(os), familiares e professoras(es);
  • Mediação das relações no contexto educacional;

Por fim, apresentamos a seguir os diversos recursos técnicos que são utilizados para diversos tipos de ação.

  • Oficinas;
  • Palestras;
  • Grupos de discussão;
  • Exposição de filmes;
  • Jogos lúdicos e pedagógicos;
  • Reuniões de equipes Multiprofissionais;
  • Desenho livre;
  • Uso de recursos da informática;
  • Suporte em Libras e/ou Braille;
  • Supervisão psicoeducacional com professoras(es),
  • Tecnologias Operacionais: uso do modelo cognitivo comportamental para trabalho com análise do esquema cognitivo, desconstrução dos comportamentos disfuncionais no encontro com as(os) familiares e as crianças.

d) Teorias/ Autores / Conceitos:

  • Teorias: Psicodrama; Psicanálise; Teoria Cognitivo-comportamental; Gestalt; Sócio interacionismo; Neropsicologia; Neuropsicologia americana; Sócio-histórica; Psicologia Social; Psicologia Educacional; Construtivista, interacionista e cognitivista; teoria ecológica de Bronfembrenner e Koller;  teoria do ciclo vital  de Erik Erickson; Psicologia Institucional.
  • Autoras(es): Luria; Vygotsky; Paulo Freire; Capovilla e Capovilla; Vitor da Fonseca; Emilia Ferreiro; Elvira Lima; Maria Tereza Mantoan; Rosita Edler; Maria H. S. Patto; Freitas; Ana Bock; Jorge Ponciano Ribeiro;  Bronfembrenner; Koller; Erik Erickson.
  • Conceitos:  Política Nacional de Educação Inclusiva; Educação Inclusiva/Educação Especial.

e) Considerações Finais: para a equipe do CREPOP, alguns aspectos surgidos durante o diálogo merecem uma maior atenção. São elas:

  • As(os) psicólogas(os) ainda são percebidas(os) como profissionais da saúde. Esta situação foi identificada  inclusive junto a algumas(ns) gestoras(es) contactadas(os) durante a pesquisa;
  • Necessidade de discussão acerca da ausência de Legislações Estaduais que contemplem o cargo de psicóloga(o) na educação;
  • Não foram identificadas formas de organização coletiva fora do âmbito institucional dos locais de trabalho destas(es) profissionais. Foi nítida a necessidade destacada por estas(es) de mais espaços para troca de experiências, bem para organização política;
  • Necessidade de discussão acerca das condições e precarização do trabalho(ver nota de rodapé 05).
  • Muitos dados “oficiais” disponibilizados nos sites e documentos das secretarias são incondizentes com a fala de algumas(ns) profissionais participantes da pesquisa.  De acordo com as(os) mesmas(os), alguns municípios que receberam as salas funcionais enviadas pelo MEC, não implantaram tais espaços e por conta disto, os equipamentos estão guardados em caixas nos depósitos da cidade.
  • Para a equipe, o Currículo Funcional Natural mereceria uma apreciação mais detalhada por parte do CREPOP Nacional e CRP03.

 

Equipe CREPOP03 –

Centro de Referência Técnica em Psicologia
e Políticas Públicas – CRP- 03

 

[1] O Georreferenciamento faz parte das etapas iniciais da pesquisa e consiste na localização dos profissionais de psicologia na política pública em questão.

[2] Encontros Presenciais – Sergipe- 30 e 31 de maio de 2008. Bahia – 06 e 07 de junho.

[3] Estes dois encontros possuem objetivos de pesquisa distintos. Na Reunião Especifica investigamos o Campo da Prática, já no Grupo Fechado, discutimos o chamado Núcleo da Prática . Este conceito versa sobre aspectos ligados pesquisa Atividades Especificas, Teorias e Conceitos dentre outros.