Publicado em 25 maio de 2026 às 17:01
Celebrado em 25 de maio, o Dia da/o Trabalhadora/r Rural foi instituído pela Lei nº 4.338, de 1º de junho de 1964, em homenagem ao deputado federal Fernando Ferrari, conhecido pela atuação em defesa dos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores do campo.
A data reconhece a contribuição de profissionais que atuam em atividades essenciais para a economia e para o abastecimento do país, como agricultoras/es, lavradoras/es, criadoras/es de animais, pescadoras/es artesanais e pequenas/os produtoras/es rurais. Além de destacar a importância do trabalho rural, o momento também convida à reflexão sobre as condições de vida dessas populações, especialmente no que diz respeito ao acesso a direitos básicos, políticas públicas e cuidados em saúde mental.
Divulgado em 2024, um levantamento realizado pela Oxfam Brasil aponta que mulheres e pessoas negras estão entre os grupos mais afetados pela precarização e pela informalidade no trabalho rural. Conforme o estudo, 69,6% das trabalhadoras e dos trabalhadores do setor são pessoas negras, enquanto 58,3% exercem suas atividades sem acesso aos direitos previstos pela legislação trabalhista.
Os dados também evidenciam disparidades salariais. Homens negros recebem, em média, 59,8% menos do que o rendimento médio geral, enquanto entre as mulheres negras a diferença chega a 61,6%. O estudo ainda revela que a informalidade alcança 46,1% da população preta e parda inserida no mercado de trabalho.
Considerando que o isolamento geográfico, os longos deslocamentos, as jornadas extensas, a sazonalidade do trabalho e da renda, bem como a exposição a agrotóxicos, constituem importantes riscos psicossociais no trabalho rural, é necessário compreender a saúde mental da trabalhadora e do trabalhador rural em sua dimensão coletiva, social e política. Esses fatores impactam não apenas a qualidade de vida, mas também os vínculos familiares e comunitários e o acesso a direitos, exigindo uma atuação profissional sensível às condições concretas de vida e trabalho no campo.
O CRP-03 reafirma o compromisso social da Psicologia com a defesa do cuidado integral à saúde das trabalhadoras e dos trabalhadores rurais, tendo como princípio o respeito às especificidades culturais e territoriais das populações do campo. Também destaca a urgência de ampliar políticas públicas de proteção social, saúde e atenção psicossocial, associadas à promoção de condições dignas de trabalho, de modo a contemplar essas pessoas, seus territórios e seus modos de vida. Não há cuidado em saúde mental dissociado das condições de vida, trabalho e acesso a direitos.
Para orientar a atuação profissional nesta área, o Conselho Federal de Psicologia (CFP), através do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) lançou a publicação intitulada “Referências Técnicas para a atuação de psicólogas/os em questões relativas à terra”. O material está disponível através do link:
REFERÊNCIAS TÉCNICAS PARA ATUAÇÃO DAS(OS) PSICÓLOGAS(OS) EM QUESTÕES RELATIVAS A TERRA
SAÚDE DO TRABALHADOR NO ÂMBITO DA SAÚDE PÚBLICA: REFERÊNCIAS PARA A ATUAÇÃO DA(O) PSICÓLOGA(O)
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