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Evento sobre identidades de gênero lota auditório do CRP-03

Atividade fez parte da comemoração ao Maio da Diversidade

Com auditório lotado, o evento TRANSformando o CIStema: reflexões, vivências e práticas aconteceu no último sábado (27), no Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03). Ampliar o debate sobre identidades de gênero e fortalecer a Resolução n° 001/99, do Conselho Federal de Psicologia, que estabelece normas de atuação para as/os psicólogas/os, relacionadas à orientação sexual foram alguns dos objetivos principais do seminário. Promovida pela Comissão de Direitos Humanos do CRP-03, a atividade contou com o apoio da Comissão da Diversidade Sexual da OAB-BA, Defensoria Pública do Estado da Bahia, LesbiBahia, Rede Sapatá e Grupos de Trabalho do Conselho.

Para levantar as discussões foram convidadas/os; Adriano Cysneiros, psicólogo e mestre em Cultura e Sociedade, Carlos Porcino, psicóloga voluntária da Associação de Travestis de Salvador, Felipe Noya, Defensor Público, Gilmaro Nogueira, psicólogo e doutorando em Cultura e Sociedade, Millena Passos, ativista política do movimento LGBT, e Tito Carvalhal, membro do Núcleo Bahia do Instituto de Transmasculidades. O Conselheiro do CRP-03, Anderson Fontes mediou os debates.

Despatologização das identidades trans, discriminação, estigma, preconceito, processo transexualizador, transfobia e violência foram alguns dos assuntos abordados durante o evento. O tema Pessoas trans e a psicoterapia foi um dos mais aguardados entre as/os participantes. O professor de Psicologia, Gilmaro Nogueira pontuou a necessidade de um atendimento diferencial para as pessoas trans. “Eu fui aprendendo com essas pessoas que o distanciamento não é eficaz. Elas/es reclamavam de um falta de proximidade. Quando temos um sujeito com experiência de ser violentado cotidianamente é preciso garantir que isso não se reproduza dentro do consultório”, pontuou o psicólogo. Gilmaro também deu um exemplo de como o vínculo pode ser favorável nessas ocasiões: “Vamos imaginar que uma pessoa travesti viesse me abraçar depois do atendimento e eu negasse esse abraço. Eu estaria repetindo tudo aquilo que elas passam do lado de fora”, frisou.

Adriano Cysneiros trouxe questões a respeito das diversas formas de violência que podem acontecer com as pessoas trans e também fez colocações importantes sobre a atuação da/o profissional durante a psicoterapia. “A violência pode ser expressa por palavras, mas também por olhares e gestos. Com isso, o indivíduo tende a objetificá-lo e chega na psicoterapia se colocando como objeto. Penso que nessas situações é responsabilidade do terapeuta olhar para essa pessoa como sujeito, não aceitar esse lugar no qual ela se coloca e compartilhar um encorajamento à autonomia”, falou Adriano. Além disso, a psicóloga Carlos Porcino realizou uma apresentação sobre os cuidados na elaboração de documentos no atendimento às pessoas trans e travestis no âmbito da Psicologia. A profissional mostrou resoluções e outros textos que devem auxiliar as/os psicólogas/os na produção destes documentos.

Desafios constantes

O Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo, segundo pesquisa da organização não governamental (ONG) Transgender Europe (TGEU). Foram registradas 604 mortes no país, entre os anos 2008 e 2014.

Segundo as/os convidadas/os, ainda existe uma dificuldade muito grande, por parte das pessoas, de respeitar e lidar com as diferenças.  Ser trans no Brasil não é fácil e é desafio constante na luta pelos direitos, contra os julgamentos, tabus e preconceitos. O reconhecimento jurídico das identidades trans, como por exemplo, o uso do nome social também foi discutido. A Defensoria adotou um entendimento de que a retificação de registro independe de laudo, segundo Felipe Noya. De acordo com o defensor público, o uso do nome social é direito de personalidade.