O Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03 relembra, na data de hoje, os 10 anos sem o psicólogo Marcus Vinícius de Oliveira, assassinado no município de Jaguaripe-BA, em um contexto marcado por conflitos fundiários e violações de direitos humanos. O crime segue sem elucidação, e sua impunidade permanece como uma ferida aberta para a Psicologia brasileira, que continua exigindo justiça, memória e responsabilização.
Conhecido nacionalmente como Marcus Matraga, Marcus Vinícius foi uma das figuras mais relevantes da história recente da Psicologia no Brasil. Natural de Sete Lagoas (MG), formou-se em Psicologia em Belo Horizonte e construiu na Bahia uma trajetória profundamente comprometida com a universidade pública, a militância social e a consolidação de uma Psicologia ética, crítica e socialmente referenciada. Como professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), contribuiu de forma decisiva para a formação de gerações de psicólogas e psicólogos, sempre orientando sua atuação pela defesa dos direitos humanos.
Marcus foi um dos pioneiros da Luta Antimanicomial no Brasil, atuando diretamente na construção de práticas de cuidado em liberdade e no enfrentamento ao modelo manicomial. Sua contribuição ajudou a reposicionar a Psicologia brasileira como uma profissão comprometida com a dignidade humana, com a justiça social e com a transformação das políticas públicas de saúde mental.
No âmbito do Sistema Conselhos de Psicologia, Marcus Vinícius deixou um legado estruturante. Participou de gestões do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e dos Conselhos Regionais da Bahia e de Minas Gerais, sendo um dos idealizadores de marcos institucionais fundamentais, como as Comissões de Direitos Humanos, o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) e o Congresso Nacional da Psicologia (CNP) — espaços que seguem orientando a atuação ética e socialmente comprometida da profissão.
Reafirmar a memória de Marcus Vinícius de Oliveira é reafirmar o projeto ético-político da Psicologia brasileira. Sua trajetória permanece viva como referência de compromisso com a vida, com os direitos humanos e com uma Psicologia que cuida, transforma e resiste.
Marcus Vinícius de Oliveira, presente!