Publicado em 03 agosto de 2016 às 19:58
Exclusão, feminismo e racismo foram alguns dos assuntos discutidos durante o evento “A mulher negra Psicóloga: Desafios da Prática Profissional”, realizado na última sexta-feira (29), no auditório do Conselho. Organizada pelo Grupo de Trabalho de Psicologia e Relações Raciais, a atividade reuniu profissionais e estudantes para lembrar o dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho. As psicólogas Gabriela Silva, Maitê Lourenço e Veridiana Machado participaram como convidadas da mesa.
Maitê Lourenço chamou atenção para o distanciamento da formação de Psicologia em relação à temática das relações raciais. A psicóloga também lembrou a sua experiência de trabalho em recrutamento e seleção: “Me deparei muito com os gestores se recusando a atender pessoas negras, mesmo eu sendo a selecionadora. Existia um contexto de discriminação, muitas vezes silenciado”. Além disso, a convidada também chamou atenção para o número pequeno de mulheres negras dentro das grandes organizações e de como levar esse tema para dentro das empresas.
A trajetória de vida norteou a fala de Veridiana Machado. De acordo com a psicóloga, a adolescência foi o momento de perceber a exclusão, a falta de visibilidade e a reprodução do machismo pela sociedade. Para Veridiana, o maior desafio da Psicologia é possuir um olhar especifico para a construção da subjetividade da mulher, de um modo geral, com recorte para a mulher negra. “É necessário compreender que a mulher negra vem de outras experiências e a Psicologia precisa se debruçar sobre isso”, disse a palestrante.
A participação em movimentos sociais durante a graduação foi fundamental para Gabriela Silva se reconhecer enquanto mulher negra. Segundo a militante, as mulheres negras e pesquisadoras dentro da Psicologia têm a tarefa e o desafio de apontar o racismo como estrutural. “A Psicologia deve enxergar também o racismo como produtor de sofrimento e um dos principais determinantes da construção da subjetividade e da identidade da população negra”, pontuou Gabriela.
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