Publicado em 27 outubro de 2025 às 15:26
Comemorado em 27 de outubro, o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra tem como objetivo conscientizar e engajar todas e todos os profissionais da saúde sobre as demandas específicas da população negra, historicamente negligenciadas nas políticas públicas e nos serviços de saúde. A data reforça a necessidade de práticas e condutas que reconheçam as desigualdades raciais e que atuem na promoção da equidade.
Em maio de 2009, o Ministério da Saúde instituiu, por meio da Portaria nº 992, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN). Essa política foi resultado da luta histórica do movimento negro e tem como principal finalidade combater a discriminação étnico-racial no Sistema Único de Saúde (SUS), além de promover ações que garantam acesso digno, humanizado e qualificado à saúde para a população negra.
Doenças como anemia falciforme, diabetes mellitus, hipertensão arterial e doença hipertensiva específica da gravidez têm maior prevalência entre a população negra. Estudos também revelam que óbitos por causas evitáveis são significativamente mais frequentes nesse grupo. No caso das mulheres negras, os dados são ainda mais alarmantes: elas lideram os índices de feminicídio, violência doméstica, violência obstétrica e mortalidade materna no Brasil.
Além da saúde física, é preciso destacar os impactos do racismo estrutural na saúde mental da população negra. Uma pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada em 2019, apontou que jovens negros de até 29 anos são os que mais cometem suicídio no país. Esses jovens também têm 45% mais chances de desenvolver depressão em comparação com jovens brancos — uma realidade que exige respostas urgentes e direcionadas.
A Psicologia tem um papel fundamental na promoção da saúde da população negra, especialmente quando reconhece que o sofrimento psíquico dessa população está profundamente atravessado por fatores sociais, históricos e estruturais — como o racismo, a desigualdade social, a violência e a exclusão dos espaços de poder e decisão. É importante destacar a Resolução CFP nº 18/2002 que estabelece normas de atuação para as psicólogas em relação ao preconceito e à discriminação racial.
O Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03) reforça o seu compromisso com uma Psicologia antirracista, interseccional e comprometida com os Direitos Humanos, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e com saúde de fato para todas e todos. A Psicologia que promove saúde para a população negra é aquela que se posiciona de forma crítica diante das estruturas de poder, atua com compromisso social e defende os Direitos Humanos como princípio norteador de sua prática.
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