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Visibilidade trans e travesti é debatida em evento do CRP-03, em Salvador

Publicado em 28 janeiro de 2023 às 00:22

Visibilidade trans e travesti é debatida em evento do CRP-03, em Salvador

Brasil é o país que mais mata pessoas trans e travestis em todo o mundo, por anos consecutivos. Os efeitos objetivos e subjetivos dessa triste realidade implicam os olhares e a atuação da Psicologia em suas diferentes áreas, frente a este grave problema social que, muitas vezes, é invisibilizado. A partir deste quadro, o Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03) promoveu o I Seminário da Visibilidade Trans e Travesti, reunindo pesquisadores e psicólogues/as/os na sede da autarquia, em Salvador (BA). Na noite do primeiro dia do evento, foi realizada uma oficina sobre “Abordagem a Pessoas Trans: como praticar uma escuta psicológica ética”. E, ao longo deste sábado (28), os participantes puderam refletir sobre o papel de instituições e profissionais na compreensão e abordagem transversal de acolhimento às pessoas trans e travestis.

A diretora do CRP-03 explicou que a concretização do seminário se justificou pela necessidade de estímulo à conscientização de psicólogues/as/os em suas intervenções, sobretudo pelas especificidades que a temática demanda. E frisou que a programação foi pedagógica também aos próprios servidores da autarquia, que recepcionam profissionais trans e travestis na oferta e desenvolvimento de serviços à categoria. Catiana Nogueira destacou ainda a atuação da coordenadora da Comissão de Mulheres e Relações de Gênero (COMREG), Ariane Senna, mulher trans que representa esta pauta defendida pelo CRP-03 na Bahia. “Estar nesse lugar é importante, estrategicamente”, reforçou a coordenadora da Comissão de Direitos Humanos (CDH), Itaynara Tuxá.

O coordenador da Comissão de Psicologia e Relações Raciais (COMPRR) lembrou que, na perspectiva institucional, quem ocupava estes espaços eram majoritariamente “homens brancos, cis, heterossexuais, e de classes média, alta e rica”. “Precisamos repensar estes espaços de visibilidades”, ratificou Matheus Santana. Pela perspectiva epistemológica, Sofia Favero (CRP 07/30633) salientou que não se trata também “de pegar todo o conhecimento que foi produzido no mundo, colonial, branco, heteronormativo, e descarta-lo; é se interessar, se engajar nas línguas, temáticas, vocabulários de pessoas que tiveram sua humanidade negada”, até que os sintomas sociais se tornem evidentes pela problemática situada a partir daqueles conhecimentos; ou que novos conhecimentos sejam produzidos, segundo essa psicóloga e pesquisadora.

O engajamento ético-político se torna, às/aos profissionais, uma condição de possibilidade de rupturas às ordens discriminatórias e violentas que acometem outras/os psicólogas/os e pessoas trans e travestis, de acordo com Ariane Senna. “Que a gente possa se questionar sobre esse nosso fazer (…) como se o fazer com a Psicologia fosse uma coisa e o fazer pessoal fosse outra, diferente do fazer profissional”, apontou. Considerando que os discursos e práticas institucionais ainda estão “orientados” por valores heteronormativos conservadores, enquanto homem trans e em formação profissional na Psicologia, Dhan Tripodi defendeu que haja “acolhimento e escuta atenta e integral às pessoas trans e travestis nos espaços que elas procuram a Psicologia, seja dentro de instituições, de escolas, clínicas, consultórios etc”.

O seminário foi encerrado com atividade artística conduzida pelo conselheiro Ronildo Bomfim, em clima de celebração pelo que representam a data e programação do evento.

Veja toda a programação do dia 28 transmitida no turno da manhã clicando aqui.

Assista à transmissão do seminário feita no turno da tarde do dia 28 clicando aqui.

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